Rosi Masiero
Manutenção da Cidade
Colaborou o estagiário Gabriel Iago Figueredo
Uma das principais referências de uma infância feliz em São José dos Campos é, sem dúvida, o Parque Santos Dumont, localizado na região central da cidade. Há 55 anos, o espaço faz parte da história de gerações de joseenses, sendo cenário de brincadeiras, descobertas e momentos especiais em família.
Mais do que um lugar de lazer, tornou-se um espaço de convivência e afeto, onde famílias compartilham experiências e constroem memórias que permanecem vivas ao longo da vida.
Memórias afetivas
Para quem viveu a infância por ali, o parque parecia enorme, quase sem fim. Desde a inauguração, suas atrações despertavam a curiosidade e alimentavam a imaginação das crianças. Naquela época, o tobogã, com seus 12 metros de altura, impressionava pela novidade e grandiosidade. Pintado de vermelho e branco, dava a sensação de estar pertinho das nuvens.
A subida pelas escadas do tobogã era cansativa para as pernas curtas da garotada, mas nada se comparava à expectativa de chegar ao alto. O verdadeiro frio na barriga vinha na descida, feita sobre um saco de estopa. Entre o medo e a coragem, os gritos e as risadas, a aventura se transformava em uma das grandes diversões da infância.
E havia muito mais para descobrir! Em um dos parquinhos infantis ficavam as famosas “joaninhas”, brinquedos giratórios que faziam a alegria da garotada. Em pé, apoiadas nas estruturas com pegadores, as crianças acompanhavam o movimento enquanto tudo rodava cada vez mais rápido.
A paisagem se embaralhava diante dos olhos, provocando uma mistura de emoção e gargalhadas. Também chamavam a atenção as enormes letras coloridas de concreto, algumas das quais ainda resistem ao tempo, preservando um pouco da paisagem e das lembranças daquela época.
Para conhecer o parque por inteiro, havia ainda um passeio especial: o trenzinho que percorria o espaço. Para as crianças, a viagem era quase mágica. Conduzido por um motorista caracterizado, o pequeno trem seguia lentamente pelos caminhos, enquanto os passageiros mirins gritavam, acenavam e se divertiam.
Na memória infantil, o trajeto parecia durar horas, como se cada curva revelasse um novo mundo a ser explorado. Quem acompanhou de perto essa alegria foi o funcionário público Pedro Edgar Moreira da Silva, que trabalhou como motorista do trenzinho. Ele se lembra de como a criançada adorava passear no veículo. “Parecia que era realmente uma viagem”, relembra.

A Casinha de Boneca é um símbolo do parque desde a sua inauguração | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC
Pedro também guarda na memória outra atração que encantava os pequenos: a casinha de bonecas, localizada perto da estação de trem.
O espaço continua existindo até hoje. Naquela época, porém, a preocupação das crianças era aproveitar cada minuto da brincadeira sem perder a próxima viagem. “Era um corre-corre danado, saíam da casa e corriam para pegar o trem”, conta, entre risos, ao recordar a movimentação.
Gerações conectadas
Ao longo dos anos, o Parque Santos Dumont acompanhou as transformações da cidade, ganhou novas atrações e acolheu diferentes atividades, sem perder sua vocação de espaço dedicado à infância e ao convívio familiar.
Manter o Parque organizado, limpo e agradável, é um dos pilares da Prefeitura de São José dos Campos. Atualmente são 20 pessoas que chegam cedo ao local e cuidam com carinho do espaço. Seja na limpeza dos equipamentos, varrição, plantio de flores e administração. Cada um com uma história sobre o local.
Por lembrar do passado, o Parque tem em sua história, atividades que não existem mais. Teve roda-gigante, quiosques para churrascos e até um circo de lona, que recebia apresentações culturais e levava ainda mais movimento ao local. Também abrigou a Biblioteca Cassiano Ricardo, entre outras iniciativas que ampliaram suas possibilidades de encontro, aprendizado e lazer.
As lembranças de quem frequentou o espaço ao longo das décadas mostram como o Parque acompanhou diferentes fases da vida de muitas famílias.
A aposentada Creusa de Souza, que frequentava o local na década de 1970, guarda recordações especiais dessa convivência. Para ela, o parque foi cenário de momentos marcantes de sua juventude e fez parte de sua rotina durante muitos anos.
“Lembro dos momentos da minha juventude, dos passeios e de como fazia parte da rotina”, recorda Creusa.
Com o passar do tempo, o parque ganhou um novo significado em sua história: tornou-se também o lugar onde Creusa levava os netos para aproveitar as férias escolares. Os piqueniques e os dias ao ar livre passaram a fazer parte de novas lembranças familiares, agora vividas por outra geração. Entre as recordações mais queridas estão justamente esses momentos ao lado dos netos, quando a alegria de frequentar o parque ganhou novos sentidos.
Para Creusa, é bonito perceber que o parque continua presente na vida dos moradores e permanece como ponto de encontro entre diferentes gerações. “É bonito ver como o parque continua fazendo parte da história de tantas famílias de São José dos Campos”, afirma.

O lago do Parque Santos Dumont destaca-se pelo dinamismo de suas fontes d’água | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC
Essa relação afetiva com o Santos Dumont também aparece na história da professora Ana Teresa Queiroz Veneziani Lage, que guarda no parque lembranças marcantes de duas fases importantes de sua vida: a juventude e a maternidade.
Na adolescência, entre os 15 e 16 anos, Ana Teresa costumava passar as tardes no parque, onde se encontrava com uma amiga em um dos quiosques para compartilhar poesias, letras de músicas e, às vezes, estudar. Eram momentos de amizade e descobertas que ficaram guardados na memória.
Anos depois, em 1999, o parque voltou a fazer parte de sua rotina, dessa vez acompanhada da filha, que frequentava uma escolinha da Prefeitura instalada no interior. Antes das aulas, as duas aproveitaram para passear pelo parque, observar os peixes e os pássaros e desfrutar daqueles momentos juntas.
“Tenho muita saudade. O Parque Santos Dumont me faz trazer à memória momentos importantes da minha vida: a minha juventude e o momento de me tornar mãe. Quando vamos lá, volto no tempo!”, diz Ana Teresa, que recentemente está no local gravando com a filha Júlia um roteiro de turísmo.
O tempo passa, mas o encanto permanece
Aos 55 anos, o Parque Santos Dumont continua atual, mantendo vivo o espírito que inspirou seu nome. Em homenagem a Alberto Santos Dumont, patrono da aviação brasileira, o espaço preserva a conexão entre a imaginação infantil e o desejo humano de voar. Ali, a história da aviação se encontra com a curiosidade das crianças e o encantamento de visitantes de diferentes idades.
Entre as atrações estão um avião Bandeirante, uma réplica do 14-Bis em aço escovado, três maquetes de foguetes da família Sonda e a Casa Encantada, inspirada na residência do inventor brasileiro. Cada uma delas contribui para tornar o passeio uma oportunidade de diversão e descoberta, aproximando os visitantes da história e do universo da aviação.
O parque também faz parte da rotina de quem vive ou trabalha na região central. Além de abrigar duas escolas municipais, oferece diferentes áreas de brinquedos, espaços com areia, jardins e lagos que convidam ao passeio e à contemplação. Entre esses ambientes, um dos que mais encantam os visitantes é o Jardim Japonês, com sua ambientação característica e suas carpas coloridas.
A preocupação com a saúde e o bem-estar também faz parte do cotidiano do parque. O espaço conta com uma academia ao ar livre, frequentada por pessoas que buscam manter uma rotina de atividades físicas. Já a antiga via por onde circulava o trenzinho ganhou uma nova função e se transformou em uma pista de caminhada bastante frequentada.
Especialmente aos fins de semana, o Parque Santos Dumont ganha ainda mais vida. Famílias inteiras chegam em busca de lazer, qualidade de vida e momentos de união. Crianças brincam, adultos conversam e avós acompanham os netos pelos caminhos, muitas vezes revivendo as próprias lembranças de infância.
É assim, acolhendo diferentes gerações, que o Santos Dumont se renova sem perder sua essência. Para algumas crianças, representa a descoberta dos primeiros brinquedos; para outras, o prazer de um passeio em família, de um piquenique ou de uma tarde ao ar livre.

Os foguetes da Família Sonda simbolizam a memória tecnológica e científica do parque | Foto: Cláudio Vieira/PMSJC
Para os adultos, é a oportunidade de reencontrar lugares que fizeram parte da juventude e que agora ganham novos significados ao lado dos filhos e netos. Cada pessoa guarda uma lembrança diferente, mas muitas compartilham o mesmo sentimento de carinho por esse espaço tão presente na história de São José dos Campos.
Celebrar os 55 anos do Parque Santos Dumont é também celebrar a história da cidade e de todos aqueles que encontraram ali um lugar para brincar, sonhar e ser feliz. É reconhecer que alguns espaços vão muito além de suas atrações: tornam-se parte da vida das pessoas, acompanham suas histórias e permanecem presentes mesmo quando o tempo transforma tudo ao redor.
O tempo passa, os brinquedos mudam e a cidade se transforma, mas a emoção de uma infância feliz permanece. No Parque Santos Dumont, entre risadas, descobertas e sonhos que parecem ganhar asas, as lembranças continuam vivas, atravessando gerações e inspirando novas histórias.
Afinal, para quem já brincou por seus caminhos e para quem ainda está começando a descobrir seus encantos, o parque será sempre um lugar onde a infância encontra espaço para voar e as memórias encontram um jeito de permanecer.
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Com informações da Prefeitura de São José dos Campos



