Durante semanas de intenso diálogo com governos e organizações da sociedade civil, ela reforçou o compromisso de priorizar as pessoas com deficiência na formulação de políticas públicas, lembrando que “ninguém deve ser deixado para trás”.
Monitoramento e clima
Durante a sessão, Mara Gabrilli, que também é senadora da República no Brasil, dialogou com representantes de países como a Coreia do Norte sobre relatos de incidentes de “intervenções médicas” que teriam sido feitas em pessoas com deficiência e sem o consentimento delas.
A perita lembrou que quem tem deficiência é também titular de direitos humanos.
Gabrilli debateu casos de emergências climáticas e o direito de quem vive com deficiência de ser protegido quando ocorre um desastre natural.
“Dialogar com nações insulares e muito vulneráveis às mudanças climáticas como Kiribati e Maldivas me tocou muito. Em situações de emergência humanitárias e catástrofes climáticas geradas pelo homem são sempre as pessoas com deficiência são “as primeiras a serem deixadas para trás”. Por isso que é importante que os governos criem protocolos de emergência que sejam inclusivos a todas as pessoas.”
Tratado sobre Plásticos
Outro ponto central foi a negociação do Tratado Global sobre Plásticos, em Genebra.
Para Mara Gabrilli, a discussão deve considerar todo o ciclo do material, da fabricação ao descarte, e incluir a justiça ambiental.
A perita afirmou que o desenvolvimento verdadeiro acontece quando se olha “para os mais vulneráveis”, lembrando que comunidades pobres e pessoas com deficiência são atingidas pela poluição plástica de forma desproporcional.

Até 12 milhões de toneladas métricas de plástico entram no oceano todos os anos — o equivalente a um caminhão de lixo a cada minuto.
Experiência internacional e impacto no Brasil
Mara Gabrilli ressaltou que a troca de experiências com países de diferentes realidades fortalece também a sua atuação no Senado brasileiro.
Ela foi eleita para o Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em junho de 2024 e tem mandato até 2028.
Esta é a segunda vez, que Gabrilli integra o Comitê. A primeira eleição da brasileira foi em 2018.
Para a perita internacional, cada encontro reforça a sua convicção da necessidade de olhar para as pessoas com deficiência como protagonistas e como cidadãos de igual valor em qualquer lugar do mundo.
Por fim, ela sublinhou que a sua missão quer no Senado brasileiro quer na ONU é “lutar para que ninguém seja invisível”.
*Afonso Vilas Boas é estagiário da ONU News sob supervisão da redação.
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Com informações da ONU




