Análise do CDP mostra que o valor necessário para financiar projetos de infraestrutura climática urbana saltou de US$ 86 bilhões em 2024 para US$ 105 bilhões em 2025
A infraestrutura verde e as soluções baseadas na natureza são os setores de crescimento mais rápido, mais que quadruplicando entre 2020 e 2024
São Paulo, 4 de novembro de 2025: Pela primeira vez, as cidades do mundo estão buscando mais de US$ 100 bilhões para construir um futuro resiliente às mudanças climáticas, segundo novos dados do CDP. No entanto, embora a ambição esteja crescendo rapidamente, o financiamento necessário para tornar esses projetos realidade ainda está muito defasado.
O 2025 Global Snapshot, desenvolvido pelo CDP – a maior plataforma independente de divulgação ambiental do mundo – em parceria com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM, em inglês), é um relatório que contém uma nova análise de 2.164 projetos divulgados por meio do CDP-ICLEI Track, por 507 cidades em 62 países, até agora em 20251.
Lançado durante o Fórum de Líderes Locais da COP30, realizado no Rio de Janeiro, o relatório Snapshot mostra que o valor necessário para financiar projetos de infraestrutura climática urbana saltou de US$ 86 bilhões em 2024 para US$ 105 bilhões em 2025, representando um aumento acentuado de 22%.
Por trás desse progresso, porém, os dados revelam uma realidade preocupante:
· 87% dos projetos estão em busca de financiamento;
· Desses, metade (49%) ainda não conseguiu nenhum tipo de financiamento;
· Uma proporção maior de projetos em mercados emergentes requer financiamento total — 40%, em comparação com 22% nas economias desenvolvidas;
· Apenas 7% dos projetos que indicaram um modelo de financiamento estão buscando recursos exclusivamente de fontes privadas;
· Quase metade de todos os projetos ainda está nas fases iniciais de desenvolvimento, com muitos ainda na etapa de escopo inicial.
A demanda por investimentos também está altamente concentrada: as economias desenvolvidas representam 83% do total das necessidades relatadas, lideradas pelos Estados Unidos (44%) e pelo Reino Unido (23%), mesmo que as cidades de mercados emergentes representem 40% de todos os projetos.
O relatório complementar do CDP, Protected Places, destaca como a falta de financiamento impede que muitos planos climáticos locais entrem em operação. Na Índia, apenas 5% das ações climáticas planejadas são totalmente implementadas, em comparação com 75% no Japão e 86% na China. América Latina e África apresentam apenas 23% e 31% das ações em operação, respectivamente.
Enquanto isso, a análise do CDP de quase 5.000 projetos (4.979), com valor total de US$ 266 bilhões, divulgados por mais de 1.000 cidades (1.066) em 100 países entre 2020 e 2024 por meio do CDP-ICLEI Track, mostra que os projetos baseados na natureza — envolvendo biodiversidade, resiliência hídrica e espaços verdes urbanos — tiveram o maior crescimento, passando de 7% dos projetos (79) em 2020 para 15% (377) em 2024.
Apesar da demanda recorde por investimentos, os US$ 105 bilhões divulgados representam apenas uma fração do que é realmente necessário. As cidades do mundo precisam de cerca de US$ 4,5 trilhões por ano para mitigar e se adaptar aos impactos climáticos2, mas menos de 10% do financiamento climático global total chega atualmente aos governos3 locais. Sem acesso direto das cidades aos recursos, os objetivos climáticos globais permanecem fora de alcance.
Antes da COP30, o CDP, o GCoM e outros parceiros estão defendendo que as cidades sejam plenamente capacitadas para alcançar seus objetivos climáticos. As medidas específicas incluem:
· Integrar as necessidades de investimento urbano nas estratégias e políticas nacionais, como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs);
· Promover instrumentos financeiros inovadores que possam diversificar riscos e atrair investimentos privados, ao mesmo tempo em que capacitam as cidades com acesso mais direto ao financiamento climático;
· Fortalecer a governança multinível e parcerias, como a Coalition for High Ambition Multilevel Partnerships (CHAMP);
· Aumentar a divulgação de informações para ampliar os fluxos de investimento, construir confiança dos investidores e garantir que as políticas climáticas nacionais estejam alinhadas com a realidade local.
Katie Walsh, Head de Financiamento Climático para Cidades do CDP, disse:
“As cidades, suas populações e empresas estão na linha de frente das mudanças climáticas. Nosso mais recente Snapshot revela tanto a dimensão de sua resposta quanto a enorme escala de investimentos necessária — agora ultrapassando US$ 100 bilhões pela primeira vez.
“O fluxo de financiamento para as cidades, especialmente nas economias em desenvolvimento, precisa ser totalmente liberado para transformar planos no papel em projetos concretos, gerando empregos, prosperidade mais justa e comunidades mais saudáveis.
“Ao terem assento nas mesas de planejamento nacional, melhor acesso ao financiamento global e fortalecimento da colaboração entre níveis de governo, as cidades podem cumprir seu papel na entrega de resultados positivos para empresas, pessoas e o planeta.”
Asma Jhina, Consultora Sênior em Financiamento Climático Urbano e Ação Inclusiva do Global Covenant of Mayors for Climate & Energy (GCoM), disse:
“O abismo entre a ambição climática das cidades e o financiamento crítico continua evidente, com as cidades globais reportando um aumento de 22% no financiamento necessário em comparação com 2024, ultrapassando US$ 100 bilhões pela primeira vez. O Snapshot 2025 destaca que quase metade dos mais de 2.000 projetos divulgados não possui financiamento e mostra disparidades preocupantes de acesso a recursos entre economias desenvolvidas e mercados emergentes/desenvolvidos.
“As cidades ao redor do mundo estão se mobilizando para enfrentar as mudanças climáticas, mas não podem fazer isso sozinhas. O acesso urgente a financiamento crítico é essencial para cumprir seus ambiciosos planos de ação climática.”
Notas aos editores
1Os dados de 2025 referenciados aqui são até 1º de outubro de 2025. O Ciclo de Divulgação 2025 do CDP para cidades ainda não foi encerrado — a divulgação por meio do CDP-ICLEI Track ainda é possível até 19 de novembro de 2025.
2Cities Climate Finance Leadership Alliance
Sobre o CDP
O CDP é uma organização global sem fins lucrativos que administra o único sistema independente de reporte ambiental do mundo. Como pioneiro no reporte ambiental, acreditamos na transparência e no poder dos dados para impulsionar mudanças. Em parceria com líderes em negócios, finanças, políticas públicas e ciência, trazemos à tona as informações necessárias para viabilizar decisões positivas para o planeta. Em 2024, ajudamos mais de 24.800 empresas e quase 1.000 cidades, estados e regiões a reportarem seus impactos ambientais. Instituições financeiras que representam mais de um quarto dos ativos institucionais globais utilizam dados do CDP para orientar decisões de investimento e crédito. Alinhado ao padrão climático do ISSB, o IFRS S2, como sua base fundamental, o CDP integra os principais padrões e frameworks de reporte em um só lugar. Nossa equipe é verdadeiramente global, unida pelo desejo comum de construir um mundo onde pessoas, planeta e lucro estejam em equilíbrio. Visite CDP.net ou siga @CDP para saber mais.
Sobre o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM)
O GCoM (Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia) é a maior aliança global de liderança climática urbana, unindo uma coalizão de mais de 13.800 cidades e governos locais e mais de 100 parceiros apoiadores. As cidades e parceiros do GCoM compartilham uma visão de longo prazo de apoiar ações voluntárias para combater as mudanças climáticas e avançar rumo a uma sociedade resiliente e de baixas emissões. O GCoM apoia cidades e governos locais mobilizando e incentivando ações climáticas e energéticas ambiciosas, mensuráveis e planejadas em suas comunidades, trabalhando com redes de cidades/regiões, governos nacionais e outros parceiros para alcançar essa visão. Atualmente, a coalizão é liderada pelo Enviado Especial da ONU para Ambição Climática e Soluções, Michael R. Bloomberg, e pela Vice-Presidente Executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera. A rede inclui cidades em 6 continentes e 148 países, representando mais de 1 bilhão de pessoas, ou mais de 13% da população global.
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