Com informações da ONU
Reunidas em vários eventos durante a 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque, elas trazem um recado claro: o mundo não pode ser mais liderado, em sua maioria, somente por homens.
Necessidade de acolhimento
Uma dessas reuniões enfatiza ainda o reforço do combate à violência e ao feminicídio em meio a painéis temáticos e à troca de experiências sobre progressos, normas e políticas. A coordenação foi da Legião da Boa Vontade, uma instituição da sociedade civil com status consultivo com a ONU.
Em conversa com a ONU News, a especialista em segurança feminina do Grupo Empoderadas, Érica Paes, falou da partilha de técnicas que partiu do Brasil e movem centenas de mulheres em defesa da vida de forma virtual e milhares online.
A faixa preta em jiu-jitsu concebeu a iniciativa no Rio de Janeiro e já envolve plataformas e usuários de redes sociais visando proteger mulheres da violência no país e no planeta.
“O mundo anda muito difícil para uma mulher. Não é à toa que a gente está na 70ª Conferência da ONU, aqui em Nova Iorque. E as mulheres no mundo pedem ajuda e socorro. Precisam de ajuda e socorro nessa conferência, onde o debate é sobre a justiça. A gente tem a questão de como essa mulher pode recorrer de forma digna e ser acolhida dentro das leis de cada de cada país. Se ela é da África, se ela é do Brasil, se ela é do Japão, se é da França, se ela é dos Estados Unidos, essa mulher precisa de um acolhimento. Então, como agir?”
Preparar as potenciais vítimas
O Brasil é um dos países em que há mais violência contra mulheres no mundo. A ação de Érica Paes visa melhor preparar as potenciais vítimas com informações e técnicas de defesa diante de ameaças.
“A gente fornece essas ferramentas e a própria Meta, que é a nossa grande parceira hoje, ela corre atrás de um prejuízo muito grande em relação a crimes cometidos de forma virtual e que afetam crianças e mulheres de todo o mundo. E ela desenvolve várias ferramentas preventivas de segurança para serem colocadas em prática. E as pessoas não conhecem essas ferramentas preventivas de segurança.”
Já a ativista e ex-modelo brasileira, Luiza Brunet, descreveu várias fases da vida dela desde ter nascido no campo, em Mato Grosso, do trabalho como empregada doméstica, até se tornar modelo e empresária.
A trajetória dela foi marcada por um episódio grave de violência doméstica.
Mais alternância da liderança
Luiza Brunet fala de um caminho contra a violência e pela igualdade no mundo em que mulheres e homens tenham mais alternância da liderança em vários campos.
“Eu estou vendo o futuro com bons olhos. A gente tem o evento que está acontecendo agora na CSW70. Os temas são totalmente ligados às mulheres. Depois de 80 anos de um homem fazendo a gestão, vamos dizer assim, da ONU, talvez seja a possibilidade de ter no próximo comando uma mulher. E isso é muito importante, porque as mulheres sabem o que nós precisamos. Afinal de contas, somos mais mulheres no mundo do que homens. E esses espaços de poder as mulheres precisam ocupar as mulheres, ocupar espaços de poder na política, na ciência e na tecnologia, que eram lugares reservados só para os homens.”
Inspirando e motivando mulheres e crianças com a troca de informação que oriente contra a violência, Brunet pede que a sociedade civil e os indivíduos tenham maior atenção e redobrem a ajuda aos que precisam.
Possibilidade de intercâmbios
“Então, existe uma quebra de paradigma que já começou e que eu acredito que esse movimento vai se fortalecer e fortalece a sociedade como um todo. Fortalece os países. Acho que existe uma possibilidade de intercâmbios maravilhosos na tecnologia, na saúde, enfim, eu acho que é um movimento que está ganhando muito espaço e a gente está contribuindo para isso.”
De acordo com as Nações Unidas, o atual momento se caracteriza por uma crescente reação negativa aos direitos das mulheres, defendendo que em sociedades fortes mulheres contam com decisões moldando o futuro comum.
Atualmente, apenas 28 países são liderados por uma mulher e outros 101 nunca tiveram uma líder feminina.
*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.



