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Nargiz Shekenskaya*

Uma reunião com ministros da Habitação em todo o  mundo quer tornar as cidades mais seguras e resilientes, e a moradia mais acessível.

O evento, que começou em Baku, no Azerbaijão, é o Fórum Urbano Mundial, e foca na Nova Agenda Urbana, adotada há 10 anos na conferência Habitat III, em Quito, Equador. O documento estabelece princípios globais para o desenvolvimento urbano até 2036.

Correção de rumo

Ao abrir a reunião ministerial, Anaclaudia Rossbach, diretora executiva do ONU-Habitat, afirmou que 2026 não deve ser apenas um momento de avaliação, mas sim “um ano para a correção de rumo”. Ela enfatizou a necessidade de analisar quais políticas surtiram efeito e quais abordagens devem ser repensadas.

Ao longo da última década, muitos países realizaram progressos visíveis. Cerca de 160 países já adotaram ou estão elaborando políticas urbanas nacionais, ao passo que mais de dois terços dos países implementaram programas de acessibilidade habitacional.

Mas para Rossbach, esses esforços continuam sendo insuficientes e a questão da habitação demonstra isso com muita clareza.  Ela lembra que atualmente, mais de 1,1 bilhão de pessoas vivem em favelas ou assentamentos informais em todo o mundo. Segundo as Nações Unidas, mais de 120 milhões de pessoas, na última década, nasceram ou se mudaram para favelas e assentamentos informais.

Combatendo pobeza com habitação

As discussões foram divididas em três grandes temas. A primeira sessão concentrou-se na habitação como ferramenta para a inclusão social e a redução da pobreza. Os participantes discutiram a expansão de programas de habitação social, a requalificação de assentamentos informais e a proteção de populações vulneráveis.

© UN India/Blassy Boben
Anacláudia Rossbach, diretora-executiva da ONU Habitat

Foi dada atenção especial aos países em fase de recuperação após guerras e destruição. Bashar Al Sebaai, prefeito da cidade síria de Homs — que sofreu danos extensos durante anos de conflito —, descreveu os enormes desafios que a cidade enfrenta atualmente em uma entrevista à ONU News.

O prefeito conta que 400 mil pessoas retornaram à cidade após a guerra indo para os bairros que haviam sido severamente danificados com desafios como resíduos sólidos, infraestrutura, eletricidade.

Segundo Al Seebai, a cidade necessita urgentemente não apenas de ideias e expertise, mas também de financiamento para restaurar os serviços básicos e a infraestrutura.

Impulsionador Econômico

A segunda discussão explorou a habitação como um impulsionador do crescimento econômico. Os participantes observaram que o setor habitacional pode ajudar a criar empregos, melhorar a produtividade e ampliar as oportunidades para mulheres e jovens.

Os oradores enfatizaram repetidamente a necessidade de uma abordagem integrada. “É uma questão de terra. É uma questão de infraestrutura. É uma questão de finanças, governança, ação climática e direitos humanos”, afirmou Rossbach.

Mudanças Climáticas e Cidades

A terceira sessão concentrou-se na relação entre habitação e mudanças climáticas. Autoridades da ONU ressaltaram que o setor da construção civil continua sendo uma das maiores fontes mundiais de emissões de gases de efeito estufa, ao passo que milhões de pessoas que vivem em moradias inseguras estão entre as primeiras a sofrer com inundações, ondas de calor e outros desastres relacionados ao clima.

© Unicef/Denis Jobin
Comunidade de Mathare em Nairóbi, Quênia

Os ministros discutiram a construção de baixo carbono, o planejamento urbano resiliente e a requalificação de assentamentos informais com sensibilidade às questões climáticas. Segundo Rossbach, mais de 80% das cidades em todo o mundo estão, hoje, significativamente mais quentes do que há duas décadas.

O primeiro dia do fórum em si foi marcado por chuvas fortes e prolongadas em Baku, forçando as autoridades municipais a adotar medidas urgentes para drenar as vias alagadas. Moradores locais observaram que tais eventos climáticos eram raros no Azerbaijão há apenas alguns anos, especialmente nesta época do ano.

Preparar o terreno

Espera-se que a Reunião Ministerial em Baku ajude a preparar o terreno para a sessão de julho da Assembleia Geral da ONU, que realizará a revisão oficial do progresso na implementação da Nova Agenda Urbana.

“Não se trata apenas de ter um teto sobre a cabeça”, disse ele. “Significa acesso à educação, ao transporte e à saúde.”

Ele apontou os Estados Unidos como um exemplo contundente da dimensão dessa crise.

“Quando temos uma população de centenas de milhares de pessoas em situação de rua nos Estados Unidos — um país considerado rico…”, ponderou. “Em Nova York, a situação atual tem todos os contornos de uma crise.”

Brown expressou a esperança de que as discussões e decisões resultantes do encontro em Baku ajudem a gerar soluções práticas para a crise habitacional global.

“Usem estas assembleias para construir alianças que perdurem para além desta semana. Tragam as experiências vividas para a mesa de debates. Unam o financiamento, as políticas públicas e a implementação”, disse Rossbach aos participantes.

*Enviada especial a Baku. 

Apresentação Monica Grayley.

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Com informações da ONU

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