António Guterres ressalta, no entanto, que por trás dos números, existe um povo de “coragem admirável que recusa a se curvar diante da violência”.
Custo humano da insegurança
Em Porto Príncipe, capital do Haiti, o líder das Nações Unidas leva uma “simples mensagem” de que os haitianos não estão sozinhos. E que a ONU está ao lado da nação do Caribe. António Guterres declarou que o mundo não tem o direito de desviar o olhar.
O líder das Nações Unidas disse a jornalistas que o avanço das gangues criminosas tenta roubar o futuro do país, mas a solidariedade internacional e a cooperação local começam a desenhar uma luz no fim do túnel.
A raiz da crise haitiana é a falta de segurança, destaca Guterres. Ele mencionou a ação de grupos criminosos armados espalhando o terror, desalojando famílias inteiras e destruindo o tecido social.
As maiores vítimas dessa crueldade são mulheres e crianças. Com infâncias roubadas, o número de menores recrutados por gangues triplicou em apenas um ano. Atualmente, esses haitianos estão privados de proteção, educação e de um futuro.
Outra questão é a da violência de gênero que a cada dia registra a agressão de uma média de mais de 20 mulheres e meninas no país.
Crise em números
Na luta pela sobrevivência estão quase 6 milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar severa e 1,5 milhão vivendo como deslocadas internas por causa da violência.
Para Guterres, a magnitude do desafio exige uma resposta proporcional quando 6,4 milhões de pessoas, ou acima da metade da população do país, precisa de auxílio. Desde o início do ano, a violência fez mais de 2,3 mil mortos e 1,1 mil feridos.
Secretário-geral da ONU ressaltou que o Haiti não está pedindo caridade, mas que o mundo cumpra sua palavra
Para os fundos para o Plano de Resposta Humanitária foram conseguidos apenas 25% dos recursos para alcançar a meta de US$ 880 milhões neste ano.
Agências e parceiros humanitários
Apesar do perigo extremo, Guterres elogiou agências internacionais e parceiros humanitários, com a grande maioria composta por haitianos, pela recusa em desistir. No último ano, essas equipes prestaram auxílio essencial para quase 3 milhões de pessoas.
Neste contexto, o secretário-geral da ONU ressaltou que o Haiti não está pedindo caridade, mas que o mundo cumpra sua palavra em momento em que não pode esperar.
O chefe da ONU disse que a maior desgraça não é apenas a violência das gangues, mas a indiferença do mundo, que ignorou a situação haitiana por muito tempo. Ele disse haver uma ligação direta entre ausência da comunidade internacional e falta de segurança para o povo haitiano.
Caminho com cooperação e soberania
Guterres vê uma situação atual de “uma virada que já começou” descrevendo bairros de Porto Príncipe que estão sendo retomados e o Estado demonstrando sinais de uma retoma gradual.
Para consolidar esses avanços, ele citou uma estratégia de três pilares essenciais priorizando o fortalecimento da segurança com o desdobramento da Força de Supressão de Gangues, apoiada logisticamente pela ONU e a cooperação com governos como uma oportunidade real para restaurar a autoridade do Estado.
A segunda base é a transição política liderada por haitianos, onde a segurança e a transição é feita por líderes políticos e a sociedade civil e precisa ser acelerada de forma inclusiva para a realização de eleições credíveis.
Por último, o pilar das alternativas para a juventude com um a apoio internacional focadas na recuperação econômica, saúde e educação. Guterres defende um futuro de dignidade e emprego para desarmar as gangues e evitar que jovens caiam na criminalidade.
Mensagem de esperança
Para o secretário-geral das Nações Unidas, o Haiti é muito maior do que as suas provações. Ele destacou que o país possui uma juventude criativa, uma diáspora engajada e uma cultura rica que brilha além de suas fronteiras.
Ele relembrou que há mais de dois séculos, em Vertières, o povo haitiano conquistou o impossível ao quebrar suas correntes e se libertar, e que “esse mesmo espírito vive hoje”. A batalha, realizada em 1803, marcou o triunfo decisivo de revolucionários locais sobre o então exército colonial francês que viabilizou a independência do Haiti.
Dirigindo-se à comunidade internacional, ele destacou o papel não de agir no lugar do Haiti, mas de “estar ao seu lado” assegurando que o mundo lá estará até o fim.
No primeiro dia da visita, o secretário-geral esteve num acampamento de deslocados internos. Na esfera da segurança, ele se reuniu com a força internacional para alinhar o apoio logístico urgente no combate às gangues.
Por fim, Guterres manteve um encontro com o primeiro-ministro, a quem solicitou celeridade na transição política, reafirmando que a liderança dos haitianos para definir o destino do país e o apoio do mundo.
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Com informações da ONU




