Nei José Sant’Anna
Saúde
A UTI neonatal do Hospital Municipal de São José dos Campos vem fortalecendo as práticas de humanização por meio da redeterapia neonatal, uma técnica que proporciona mais conforto, acolhimento e segurança aos recém-nascidos internados, especialmente os prematuros.
A terapia consiste em posicionar o bebê em uma pequena rede adaptada e segura dentro da incubadora ou do berço aquecido, simulando a sensação de aconchego do ambiente uterino. A prática integra a rotina assistencial da unidade e contribui para o desenvolvimento e recuperação dos pequenos pacientes.
Entre os benefícios da redeterapia, estão a organização postural, redução do estresse e da agitação, melhora da qualidade do sono, diminuição do gasto energético e o auxílio ao desenvolvimento neurocomportamental dos recém-nascidos.
A fisioterapeuta Marcele de Almeida Cruz foi uma das responsáveis pela implantação da técnica na UTI neonatal. Segundo ela, a redeterapia contribui para que o bebê se sinta mais seguro e confortável durante a internação.

Redeterapia promove a organização postural e reduz a agitação | Foto: PMSJC
“É uma técnica terapêutica que permite ao recém-nascido alcançar um posicionamento mais fisiológico, ajudando na sua evolução clínica”, explica. “A rede simula o formato de um útero, fazendo com que a criança se sinta acolhida e abraçada, além de deixá-la mais organizada e segura.”
No Hospital Municipal, a prática segue protocolo institucional específico e é indicada para recém-nascidos com mais de 72 horas de vida, acima de 32 semanas gestacionais, com peso entre 1,2kg e 2kg e que estejam estáveis hemodinamicamente.

Rede simula o formato do útero e deixa o bebê seguro | Foto: PMSJC
Confiança das famílias
Para os pais, a iniciativa representa mais uma demonstração do cuidado oferecido pela equipe multiprofissional da UTI neonatal.
Luciana Aparecida Fernandes, mãe do pequeno Heitor, que nasceu com 32 semanas de gestação, conheceu a redeterapia durante a internação do filho. Ela lembra que seu primeiro bebê também precisou passar pela UTI neonatal, mas naquela época a técnica ainda não fazia parte da rotina da unidade.
“Para mim é uma novidade bem interessante ver meu filho deitado numa redinha”, afirma. “Tudo que for feito para a evolução clínica dele ajuda e eu confio muito nessa equipe, assim como foi muito importante para o meu primeiro filho.”

A técnica de enfermagem Renata Rodrigues confecciona as redes | Foto: PMSJC
Feitas com carinho
Um dos diferenciais da iniciativa é que as redes utilizadas pelos bebês são confeccionadas pela técnica de enfermagem Renata Rodrigues. Costureira nas horas vagas, ela abraçou o projeto desde o início e passou a produzir as peças de forma voluntária.
A ideia surgiu durante as discussões da equipe multiprofissional que implantou a terapia na unidade. “Comecei a pesquisar, fazer algumas adaptações com retalhos de pano”, conta. “No início fazíamos de forma improvisada, e depois fui aperfeiçoando até chegar ao modelo de rede que usamos hoje.”
Renata compra os próprios materiais e procura utilizar tecidos com estampas infantis. Até o momento, ela já confeccionou aproximadamente 35 redes utilizadas na unidade.

Mais de 30 redes já foram confeccionadas, a maioria com motivos infantis | Foto: PMSJC
Humanização como rotina
Coordenadora da UTI neonatal, a enfermeira Fernanda Ferrer destaca que a redeterapia é uma das diversas ações de humanização desenvolvidas pela unidade.
“Na unidade neonatal, cada detalhe do cuidado faz diferença”, ressalta. “A redeterapia, além de favorecer conforto e organização postural aos recém-nascidos, representa o cuidado humanizado que buscamos oferecer diariamente. Ter essas redes confeccionadas por uma colaboradora da nossa própria equipe torna essa prática ainda mais significativa, traduzindo amor, dedicação e compromisso com nossos pequenos pacientes.”
O Hospital Municipal é uma unidade da Prefeitura de São José dos Campos gerenciada pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).
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Com informações da Prefeitura de São José dos Campos




